24 julho 2013

A fórmula certa para perder o amor da sua vida.


João ama Maria que ama Roberto que ama a Paula que ama o Ricardo que fica sozinho chorando pela Renata. E por aí vai, infinitamente. Desde quando ficou tão difícil encontrar a tampa da panela, metade da laranja ou qualquer outra coisa relacionada? Não sei. Talvez as pessoas estejam seletivas demais. Vazias demais. Conectadas demais. Distraídas demais. Naquele exato dia em que um estranho esbarrou em você e derrubou seus livros, talvez, quem sabe, se você não tivesse se irritado tanto, ele pudesse notar que seus olhos não são castanhos e sim cor-de-mel. Talvez os achasse encantadores e a convidasse para sair com um belo sorriso. E você saberia que ele fuma, pelo leve tom amarelado dos dentes dele. E se encaixariam de tal forma que até os deuses duvidariam. Mas você, mais que depressa, tratou de franzir a testa e mandou ele olhar por onde anda. Uma pena.

Teve também aquele dia na balada, lembra? O amigo do seu melhor amigo ficou encantado com você. Caiu de quatro e se você quisesse, lamberia seus pés e cheiraria os caminhos pelos quais eles andaram. Percorreria seu trajeto para, quem sabe, te encontrar em uma outra vida, se necessário. Mas você fez questão de virar uma dose, cantar uma daquelas músicas "deprê" e falar que estava na fossa. E que amava seu ex e não queria se envolver com ninguém. E ele, prontamente, saiu da sua frente depois de ouvir você dizer que ele estava te atrapalhando assistir aquela banda desconhecida mas que tocava músicas que se encaixavam perfeitamente em sua vida.



O amor da sua vida passou diversas vezes por você enquanto você perdia seu tempo reclamando a inexistência dele. Ou mendigando o amor de quem não dava a mínima. Você se perdeu do amor da sua vida no "Oi" que não disse, no sorriso que não deu, na verdade que omitiu. Você o deixou na estação em que não parou, na festa que não foi por pura preguiça, nos convites que recusou. E ele, obediente que só, se afastou - ou sequer aproximou.

A fórmula certa para perder o amor da sua vida é se apegar ao passado, aos detalhes que nem importam tanto assim, a cegueira envolta por sofrimentos passados. Quer se surpreender? Deixe ele entrar. Deixe-o ocupar a alma, o coração, o lado da cama que ficou vazio depois daquele adeus. Deixe. Dê uma chance a vida, ao acaso, a si mesma. Se solte. Respire. Se apavorar para quê? Sem fingimentos. Chegou a hora de despir a armadura e tirar a máscara. Se perca, para que alguém te encontre. Mergulhe em si mesma. Se afogue em sua felicidade. E espere, que logo alguém vem te salvar ou mergulhar com você. Porque quando se trata da palavra "amor", morrer ou viver em busca da felicidade plena, sempre dá no mesmo.



Texto por : Raiane Ribeiro


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